Um Ponto de Vista

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desertoNasci em Stäfa, na Suiça. Em 1988, decidi me mudar para passar algum tempo no Rio e desde então já se passaram mais de 25 anos. Apesar de ter me formado em comércio na Suiça, eu sabia desde então que não queria passar 45 anos em algum escritório, esperando pela aposentadoria. Inicialmente, quando cheguei no Brasil, dava aulas de alemão. Quando comecei com a fotografia, era para ser apenas um hobby, mas logo ela passou a tomar conta; como na época não havia fotografia digital, os filmes e a revelação consumiam muito dinheiro. Eu estava diante de um dilema: ou eu mergulhava de cabeça ou eu largava de vez. Nesses momentos não faltam pessoas com previsões sombrias sobre o futuro de alguém que quer se aventurar na arte. Ainda bem que insisti em ouvir a voz do meu coração, que me dizia que eu deveria arriscar.

Durante muitos anos eu fazia books e outros trabalhos de moda, assim como trabalhos publicitários e capas de CDs e DVDs.

Todos os anos eu costumava passar um mês com meu pai na Suiça. Quando ele faleceu, em 2009, eu ganhei mais liberdade e comecei a me dedicar naquilo que me fascinava desde criança: conhecer o mundo através dos meus próprios olhos.

Os destinos foram bastante exóticos; montanhas, geleiras, desertos, vulcões, culturas diferentes, tribos africanas e a vida selvagem no geral atraíram minha atenção. Sempre tive curiosidade de olhar para dentro de um vulcão ativo, foi isso que me fez subir a primeira montanha: o Lascar no Chile. Tomei gosto e decidi subir o Cotopaxi no Equador, depois o Kilimanjaro na Tanzânia, e recentemente as primeiras montanhas acima de 6000 metros, o Huayna Potosi e o Acotango na Bolívia.

Em 2010 eu fui pela primeira vez ao continente africano, onde passei pela Africa do Sul, Tânzania, Quênia e Botswana. Posteriormente, viajei também para Etiópia,  Egito, Ilhas Maurício, Namíbia e conheci os “Vitoria Falls” no Zimbabwe.

As fotos de viagem se tornaram uma verdadeira paixão. Como os retornos eram muito positivos, eu decidi investir cada vez mais nesse tipo de fotografia.

Além de ganhar cultura, vivência e experiência, o meu espírito aventureiro se fez sentir com força, pois nem todos os lugares foram totalmente seguros.

A cada viagem me conscientizo mais que as fronteiras e as barreiras culturais somente existem na cabeça das pessoas. O preconceito é um conceito formado sobre algo que não se conhece. A verdade portanto não passa de UM PONTO DE VISTA.

O mundo é muito mais do que NY, Paris, Londres, Disneyland e outros centros de consumo, onde o homem pode satisfazer somente seus desejos materiais, as suas necessidades mais superficiais. A verdadeira respiração da terra e a harmonia com a natureza somente podem ser sentidos longe desses centros urbanos, longe da chamada “civilização”.

Esse é certamente um dos meus objetivos: despertar nas pessoas a vontade de conhecer lugares diferente e fazê-las sair da sua zona de conforto.